Estava
acabando o trabalho noutra manhã na padaria, quando meu primo Rodolfo disse ao Luigi: “Ei Luigi, vem almoçar lá em casa no domingo porque o Sergio vai fazer
um almoço para te agradecer. Num primeiro momento pensei: Hein? No segundo
seguinte, claro que concordei era uma situação ideal para mostrar ao Luigi o reconhecimento por tudo, o cara foi (está sendo) demais. Perfeito e, quando estava começando a
me preocupar com o que fazer o Rodolfo emendou, olha só o cara é Chef, se
prepara.
Pronto, ferrou, senti aquele peso nos ombros.
E agora?
E agora?
Primeiro pensei
em alguma coisa tradicional brasileira: Feijoada! Mas como encontrar os
ingredientes numa quase aldeia? Esquece. Vai ser uma preparação à italiana
mesmo, porém pensei, sofisticada. Pensa Serginho... pensa... pensa...
Acho que
encontrei! Fiz uma vez uma preparação chamada “Paccheri Sorrentino” (em dueto
com o querido Chef João koeler) , que nada mais é do que um tipo de rigatoni liso e
mais “gordo” onde você recheia o moço. Fui evoluindo a parte do recheio e
pensando no “secondo piatto” pois estou na Itália e tem que ter um secondo.
Como, meses
atrás, me interessei muito por uma preparação toscana de carne de longo
cozimento e já havia feito vários testes em casa, pensei: "Vamos ao Peposo."
O Peposo ou
Peposo Notturno (pois é comum deixar em cozimento por toda a noite) é uma
preparação que, conta a história, os antigos trabalhadores preparavam antes de
irem trabalhar em construções e que ficava pronto no seu retorno e
tradicionalmente constava de apenas quatro ingredientes: a carne, sal, pimenta,
e uma garrafa inteira de vinho ( Chianti
é claro). Nos meus testes fiz uma pequena modificação, colocando alho e
alecrim. O encanto disso está no preparo onde você não faz praticamente nada. Coloca tudo dentro de
uma panela que vai ao forno e... ecco, o tempo se encarrega de tudo. Fiz testes
com seis horas, oito horas e é incrível. A carne fica bem escura e muito saborosa.
Não! Não
leva um azeite, não rola um refogado e nem nada. Nada! Ponto.
Tradicionalmente é servido com o pão toscano que não leva sal assim valoriza o seu sabor. Fechava, pois, pensei em utilizar o pão do Luigi como base e
assim render mais uma homenagem.
Definido o
quê, “bora” escrever a receita e a lista de compras.
Compras. Eu coloquei como parte do recheio, ricota de cabra e não
estava encontrando aí o primo sugeriu ver uma senhora que faz o queijo de cabra
e poderia ter a ricota lá. Fomos. Caraca, ela não tinha a ricota mas tinha
acabado de desenformar vários queijos de cabra frescos. Ainda estavam mornos.
Pensei, não posso perder essa oportunidade, vou aproveitar esses queijos e
talvez conseguir a consistência cremosa com um mascarpone.
Assim fechamos as
compras e fomos para casa pois havia muita coisa pra fazer. O principal era o
Peposo pois tinha que ir para o fogo o mais rápido possível pois um dos seus
principais ingredientes é o tempo.
No dia seguinte com o pré-preparo no esquema
Ufa! Deu
tudo certo, tanto que rasparam as panelas.
Para se ter uma ideia do resultado, foi o ultimo prato que pedi para fotografarem
Paccheri Sorrentino
Peposo
Fiquei feliz!
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