quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Convite Inusitado.


Estava acabando o trabalho noutra manhã na padaria, quando meu primo Rodolfo disse ao Luigi: “Ei Luigi, vem almoçar lá em casa no domingo porque o Sergio vai fazer um almoço para te agradecer. Num primeiro momento pensei: Hein? No segundo seguinte, claro que concordei era uma situação ideal para mostrar ao Luigi o reconhecimento por tudo, o cara foi (está sendo) demais. Perfeito e, quando estava começando a me preocupar com o que fazer o Rodolfo emendou, olha só o cara é Chef, se prepara. 

Pronto, ferrou, senti aquele peso nos ombros.
E agora?

Primeiro pensei em alguma coisa tradicional brasileira: Feijoada! Mas como encontrar os ingredientes numa quase aldeia? Esquece. Vai ser uma preparação à italiana mesmo, porém pensei, sofisticada. Pensa Serginho... pensa... pensa...
Acho que encontrei! Fiz uma vez uma preparação chamada “Paccheri Sorrentino” (em dueto com o querido Chef João koeler) , que nada mais é do que um tipo de rigatoni liso e mais “gordo” onde você recheia o moço. Fui evoluindo a parte do recheio e pensando no “secondo piatto” pois estou na Itália e tem que ter um secondo.

Como, meses atrás, me interessei muito por uma preparação toscana de carne de longo cozimento e já havia feito vários testes em casa, pensei: "Vamos ao Peposo."
O Peposo ou Peposo Notturno (pois é comum deixar em cozimento por toda a noite) é uma preparação que, conta a história, os antigos trabalhadores preparavam antes de irem trabalhar em construções e que ficava pronto no seu retorno e tradicionalmente constava de apenas quatro ingredientes: a carne, sal, pimenta, e uma garrafa inteira de vinho ( Chianti  é claro). Nos meus testes fiz uma pequena modificação, colocando alho e alecrim. O encanto disso está no preparo onde você não faz praticamente nada. Coloca tudo dentro de uma panela que vai ao forno e... ecco, o tempo se encarrega de tudo. Fiz testes com seis horas, oito horas e é incrível. A carne fica bem escura e muito saborosa.

Não! Não leva um azeite, não rola um refogado e nem nada. Nada! Ponto.

Tradicionalmente é servido com o pão toscano que não leva sal assim valoriza o seu sabor. Fechava, pois, pensei em utilizar o pão do Luigi como base e assim render mais uma homenagem.

Definido o quê, “bora” escrever a receita e a lista de compras.
Compras. Eu coloquei como parte do recheio, ricota de cabra e não estava encontrando aí o primo sugeriu ver uma senhora que faz o queijo de cabra e poderia ter a ricota lá. Fomos. Caraca, ela não tinha a ricota mas tinha acabado de desenformar vários queijos de cabra frescos. Ainda estavam mornos. Pensei, não posso perder essa oportunidade, vou aproveitar esses queijos e talvez conseguir a consistência cremosa com um mascarpone.



Assim fechamos as compras e fomos para casa pois havia muita coisa pra fazer. O principal era o Peposo pois tinha que ir para o fogo o mais rápido possível pois um dos seus principais ingredientes é o tempo.
No dia seguinte com o pré-preparo no esquema





Ufa! Deu tudo certo, tanto que rasparam as panelas.

Para se ter uma ideia do resultado, foi o ultimo prato que pedi para fotografarem

Paccheri Sorrentino


Peposo


Fiquei feliz! 




Nenhum comentário:

Postar um comentário