Rio, Novembro de 2016
Preparando o
“Artesão Italiano” para 2017, me dei conta que muito provavelmente, engrenando
o trabalho, eu não teria outra oportunidade tão cedo de colocar em prática um
projeto antigo, o dos pães italianos.
Quem me
conhece, sabe bem que quando falo de pães o foco são os italianos. Acho que a
variedade por metro quadrado na Itália merece essa atenção. Não é de hoje que
leio, pesquiso, testo, provo, fuço, cheiro qualquer massa fermentada e assada
com origem na bota. Na marca do artesão, os pães oferecidos são de origem
italiana, modificados ou não, o que é outra história.
O “Artesão”
está chegando.
Há tempos
tenho pensado em oferecer produtos de qualidade. Não tinha uma ideia de como
(quem disse que tenho agora?), mas a coisa foi tomando forma na minha cabeça.
Primeiro, ideias soltas, depois elas foram se conectando, criando corpo...
Muita
vontade de compartilhar minha infância de mesa.
Especialmente a mesa do meu
pai. Mario era f*#d@!!, com o perdão da expressão. Cozinhava muito. Sabia muito.
Era intuitivo, audaz e atrevido quando o quesito era cabelos de senhoras e
pratos. Bom, a história rica dele fica para outro dia, o fato é que sua
influência sempre foi muito grande no que se refere a mesa e acho que o “Artesão” é
isso também.
Voltando a
viagem, lembrei da panificação de um primo visitada no ano passado e pensei dar
uma passada lá para ver como as coisas eram feitas na pequena cidade natal da
família, Frignano, microrregião da Província de Nápoles, Caserta. Uma coisa
ligando a outra fui pesquisando farinhas, fermentos, pães da região e assim
cheguei a um plano geral de viagem. Mandei e-mails para padarias, pessoas e fui
embora antes que respondessem, pois sei que as coisas mudam e muitas vezes você
planeja muito uma coisa e a vida muda. “O homem põe e Deus dispõe”, diz o
ditado, por isso fiquei com a ideia geral na cabeça e pensei em costurar as
pontas soltas a medida em que fossem acontecendo, e fui...
Depois da
incrível noite com estrelas em cima, do lado e embaixo do avião, a chegada em
Roma ao amanhecer.
Primeira
coisa planejada: ir primeiro a Latina. Achei que precisava passar uma semana no
aquecimento e unindo o útil ao agradável ficar um pouco com minha Tia Margot
que eu já sabia, na semana seguinte iria ver o filho (grande Franco) em Miami.